Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Controlo da Gestão

Tiago Moreira Ramalho, 17.05.10

A pessoa de bem – e as outras também – sabe, com certeza, que a gestão, essa técnicazinha tantas vezes ensinada como se fosse some sort of ciência sequer equiparável à Economia, anda nas ruas da amargura. De qualquer jeito, é interessante ver como em Portugal estamos a aplicar uma das técnicas mais inteligentes de controlo de executivos.

Se olharmos para o nosso país como uma empresa de grande dimensão e para cada cidadão como um dos sócios, funcionando tudo num modelo em que a gestão e a posse estão separadas, constatamos que, voluntária ou involuntariamente, estamos a contornar com grande facilidade o obstáculo de não termos aquilo a que geralmente se chamam «accionistas de referência». Regra geral, nas organizações, o controlo efectivo da gestão é feito por estes accionistas. No entanto, quando não há possibilidade de os ter – e o caso das democracias é ilustrativo –, a melhor forma que os pequenos átomos detentores da companhia têm para ter um controlo apertado sobre a gestão é, precisamente, recorrer a um volume considerável de dívida, pois, assim, serão os credores a controlar – porque lhes convém – as práticas do executivo.

Retira-nos autonomia? Retira. Sempre. Mas, regra geral, em empresas com posse dispersa e em que os accionistas não se interessam pelo que se passa, esta é a melhor solução para que a coisa não descambe. Quantas teses de doutoramento poderiam ser feitas em torno desta merda.