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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Trabalhar para viver (2)

Rui Passos Rocha, 25.05.10

Atitude infantil é dizer que é uma infantilidade considerar o trabalho de forma meramente instrumental (como forma de conseguir dinheiro). Nada há de intrinsecamente mau nisso, desde que se cumpra as tarefas com o zelo e a rapidez expectáveis. Obviamente, como diz Ken Robinson nesta óptima e divertida TED Talk (que uma urtiga vos penetre o rabo se não virem pelo menos parte desta porra), a probabilidade de executar as tarefas desse modo é maior no caso de quem daí extrai prazer e se sente realizado. Daí que, em vez de criticarmos quem não encontra a sua vocação - seja isso o que for -, talvez fosse melhor darmos a possibilidade a todos para que tivessem uma aprendizagem o mais ampla e livre possível para que fizessem escolhas mais conscientes. E isso, meus caros, é uma tarefa que - directa ou indirectamente - caberia aos Estados.

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    RPR 26.05.2010

    Nem por isso. É discutível que seja "natural" pretender a igualdade de circunstâncias no acesso à educação, porque esse nivelamento premeia o pouco esforço de algumas famílias. Ainda assim, parece-me globalmente justo.
  • Sem imagem de perfil

    A. F. F 26.05.2010

    Caro RPR,

    Mas não é isso que defende necessariamente no seu post, daí o meu "naturalmente".

    É evidente que, regra geral, a massificação leva a uma baixa generalizada na qualidade do ensino, ou de qualquer outro serviço prestado.

    Mas foi esse o ponto do seu post?
    Não o havia entendido assim.

    Voltando à questão, o que RPR escreve é

    "Daí que, em vez de criticarmos quem não encontra a sua vocação - seja isso o que for -, talvez fosse melhor darmos a possibilidade a todos para que tivessem uma aprendizagem o mais ampla e livre possível para que fizessem escolhas mais conscientes. E isso, meus caros, é uma tarefa que - directa ou indirectamente - caberia aos Estados."

    A aprendizagem ampla e livre poderá assumir diferentes contornos e diferentes contribuições estatais / privado.

    Os melhores sistemas de ensino que conheço têm diferenças substanciais entre eles: o peso do estado, o nível de exigência na formação pré-universitária, etc.

    Ainda assim, e de encontro com o que afirma no post, o papel do Estado deverá ser o de assegurar que ninguém fica à partida excluído. Quem nasce em famílias pobres, tem um caminho mais dificultado, como bem sabe, e não iremos querer cair em "pescadas de rabo na boca", seria um atentado aos mais básicos princípios liberais (para quem acredita verdadeiramente neles, anyway).

    Ainda assim, poderá defender que o "input" do Estado potencialmente premeia a situação das famílias que pouco se esforçam.

    [Talvez, nalguns casos em Portugal --- quando os subsídios são mal atribuídos, ou mal utilizados. Mas também sabemos que essas famílias abandonam os estudos cedo. Há também há o caso inverso; o de famílias abastadas a recorrem com frequência aos instrumentos de ajuda social do estado... Por cá, a massificação é apenas uma razão pela qual a qualidade do ensino está aquém do desejável. Outra razão poderão ser políticas "corrompidas" de psicologia, professores com formação deficiente, falta de autoridade nas escolas, etc...]

    Na Alemanha encontrou-se uma solução para evitar que a abertura do Ensino à população em geral provoque muitos estragos: duas vias muito distintas; o ensino de qualidade para quem se esforça e tem gosto pela aprendizagem e o ensino técnico, muitos furos abaixo em termos de qualidade, mas que ainda assim tem o mérito de dar formações específicas aos cidadãos.

    Mas, seguindo a sua resposta, imaginemos por instantes, uma sociedade em que o ensino é completamente privado; é difícil neste cenário conceber uma perda de liberdade no sentido que defende?

    A igualdade de circunstâncias não tem que levar necessariamente a pouco esforço da parte dos cidadãos; se isto acontecer é porque há algo de profundamente errado no edifício do Estado.

    A igualdade de circunstâncias deve ser complementada com uma consciencialização de que o mérito deve ser premiado e que as pessoas tendo vocações particulares, ou não, deverão assumir diferentes papéis na sociedade com empenho e gosto.

    Cumprimentos.
  • Sem imagem de perfil

    RPR 26.05.2010

    Penso que não me percebeu. O que eu disse foi que nada há de "natural" em defender o ensino generalizado, financiado - directa ou indirectamente, ou seja, com escolas públicas ou vouchers, por exemplo - pelo Estado. É uma opção, que parte da ideia de que a igualdade de circunstâncias é, no caso da educação, um direito essencial e de que essa igualdade permitirá a todos os cidadãos procurarem a sua vocação sem terem de pensar em constrangimentos financeiros. Por outro lado, essa opção exige um imposto sobre todos os contribuintes, inclusive os que não pagariam tanto pela educação dos seus filhos e os que gostariam - e muitos deles continuam a fazê-lo - de os pôr num sistema de ensino diferente. Estes últimos acabam por pagar duas vezes, o que é injusto.

    O que eu disse foi que, apesar de tudo, é globalmente mais justo que o Estado financie o ensino de base do que não o fazer. É uma opinião perfeitamente discutível, porque nada tem de "natural", ou seja, nada há de óbvio nela que a torne superior a qualquer outra. Mesmo que consideremos, como eu, que a igualdade de oportunidades é um valor superior à maximização económica, nada há nessa afirmação que a torne obviamente superior à inversa.
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