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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Trabalhar para viver (2)

Rui Passos Rocha, 25.05.10

Atitude infantil é dizer que é uma infantilidade considerar o trabalho de forma meramente instrumental (como forma de conseguir dinheiro). Nada há de intrinsecamente mau nisso, desde que se cumpra as tarefas com o zelo e a rapidez expectáveis. Obviamente, como diz Ken Robinson nesta óptima e divertida TED Talk (que uma urtiga vos penetre o rabo se não virem pelo menos parte desta porra), a probabilidade de executar as tarefas desse modo é maior no caso de quem daí extrai prazer e se sente realizado. Daí que, em vez de criticarmos quem não encontra a sua vocação - seja isso o que for -, talvez fosse melhor darmos a possibilidade a todos para que tivessem uma aprendizagem o mais ampla e livre possível para que fizessem escolhas mais conscientes. E isso, meus caros, é uma tarefa que - directa ou indirectamente - caberia aos Estados.

5 comentários

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    RPR 27.05.2010

    «uma elevada carga fiscal sobre os rendimentos não terá, no longo prazo, um efeito muito desincentivador na criação de riqueza.»

    no longo prazo será um estímulo a que muitos potenciais criadores de riqueza emigrem para onde haja cargas fiscais mais baixas, não? Se bem que seja uma percentagem residual...
  • Sem imagem de perfil

    PR 28.05.2010

    Se levarmos a sério a ideia de que os mais ricos são ricos porque gostam do trabalho e não porque querem ser ricos, essa consequência será marginal e de curto prazo.

    Suponhamos que numa economia há dois tipos de agentes: os que gostam de trabalhar e os que não gostam. Suponha-se agora que se sobem os impostos sobre os rendimentos mais altos (o que é equivalente a aumentar a progressividade). O que acontece?

    1. Os agentes que não gostam de trabalhar ganham pouco e por isso não são apanhados pelo imposto. O efeito é nulo.

    2. Os agentes que gostam de trabalhar ganham mais e por isso são apanhados pelo imposto. Mas como trabalham por gosto e não por dinheiro, não ligam pêva à subida de imposto. [Quantos jogadores de futebol trocam o Real Madrid pelo Qatar, apesar de melhores salários e menos impostos?]

    2.1. Mesmo que haja um efeito de "choque inicial" (ceteris paribus, ninguém gosta de ganhar menos, nem de ser considerado uma vaca leiteira), esse efeito tende a esbater-se à medida que a alteração fiscal perdure no tempo (o efeito esbate-se devido à adaptação natural).


  • Sem imagem de perfil

    RPR 28.05.2010

    Pareces dizer que o imposto sobre os maiores rendimentos pode ser aumentado indefinidamente, sem que daí advenham consequências negativas de longo prazo para a economia.
  • Sem imagem de perfil

    PR 29.05.2010

    Indefinidamente não, porque não afirmei que o dinheiro não é uma motivação: apenas disse que não será provavelmente a maior (ou seja, estou a relativizar a elasticidade trabalho-preço).

    Mas é de notar que um imposto progressivo é marginal. Ou seja, só é taxado a taxas mais altas o valor que cai fora de um determinado escalão. Ou seja, os mais ricos continuariam sempre a receber mais do que os mais pobres, mesmo que o último escalão fosse tributado, por absurdo, a 100%.

    Em termos práticos, penso que há casos em que sem dúvida o imposto altamente progressivo pode não ter quase efeitos nenhuns. O Cristiano Ronaldo é um exemplo: duvido que jogasse ou trabalhasse menos se em vez de ganhar 500 mil euros/mês ganhasse, digamos, 50 mil.
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