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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Entrevistas no limite - Pedro Vieira

A Douta Ignorância, 01.06.10

 

Fundamentalmente, este jovem, e aqui uso o termo como mera força de expressão, anda pela blogosfera há uma pipa de anos, inundando os readers das pessoas de bem com rabiscos intragáveis. Agora está num ajuntamento, além da sua casa de sempre – cedeu às tentações do capital, das fusões e das aquisições e tal. Também ocupa um espacinho com um amigo, o Samuel Velho, onde goza, com o Samuel, os clientes que lhe aparecem na loja. É isso, leitor, temos o Pedro Vieira, as known as Irmão Lúcia, entrevistado. No limite.

 

Bom dia, Pedro. Podia só levantar-se? É que dá péssimo jeito entrevistar alguém que está de joelhos...

Se fosseis descendentes de alguém com um historial de artrite reumatóide como é o meu caso não estaríeis com essas pilhérias. Caramba, o que me custa levantar e abandonar o lugar a partir de onde se tiram as melhores imperiais que tão bem sabem por estes dias. Acaso reparásteis no calor que vai fazendo?

 

Alguma vez foi seriamente atacado pelas sobrancelhas ou pela saliva do Daniel Oliveira?

Só numa ocasião em que ele tentou entrevistar-me para o programa Só Visto. Desde que se mudou para a Sic esfriámos a relação, não dá jeito nenhum passar por Carnaxide quando não se tem o passe da Vimeca.

 

O irmão e o Samuel Velho...

O Sócrates e o Platão, o Jesus e o Pedro, o Nelo Silva e a Cristiana. Já sobre gang-banging não falo.

 

Não acha estranho ter tantas solicitações sendo os seus desenhos tão... toscos?

Como diria Zezé Camarinha, as notícias sobre a quantidade de solicitações que me são dirigidas são manifestamente exageradas, mas ainda assim reconheço a existência de algum bulício. Tal deve-se ao processo de profunda orientalização nas dinâmicas de trabalho e nas expectativas do consumidor, também conhecido como síndrome da loja chinesa. Se podemos ter uma imitação de ilustrador que entrega tosco mas a tempo e horas porquê pagar a um indivíduo de maior categoria que não está disponível para um sistema de produção em regime de cama quente? Vejamos, se a mediocridade não imperasse cá no burgo o primeiro-ministro era o Sobrinho Simões. E cada povo tem os bonecreiros que merece.

 

Convidaram-no para fazer uma rubrica cómica no programa A Rede do canal Q. Acha mesmo que tem graça?

Se alguma coisa me resta nesta fase da vida essa coisa é a graça, concedida algures entre mil nove e setenta e cinco e mil nove e setenta e seis na pia baptismal principal (olímpica?) da Sé de Braga, por dolo de meus pais e manejo exímio do falecido padre Peixoto, um Chibanga da água benta que substituiu à última da hora o Cónego Melo em tão egrégias funções, há  quem garanta que a essa hora o Cónego dava de comer à filha no Campo das Hortas, outros asseguram que acertava os detalhes da festa de fogo de artifício a realizar no carro do padre Max. Ninguém tem a certeza de nada e sobre o diâmetro da minha graça ainda o têm menos.

 

Há uns tempos zangou-se porque meteram um rabisco seu num livro sem lhe pedirem autorização. Já lhe pagaram ou ficou a arder?

Fiquei a arder e com labaredas de gabarito, ao nível do bólide do Niki Lauda. Mas como não gosto de dizer ordinarices na blogosfera, evitarei afirmar que os responsáveis da editora Tribuna da História são uns chupistas do caralho.