Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

The other way around

Tiago Moreira Ramalho, 16.06.10

Num ensaio de 2006, presente nesta recolha de ensaios, que, pelo preço, dez euros, deveria ser comprada por todas as pessoas de bem, o Professor Campos e Cunha propõe uma diferente abordagem ao problema do endividamento nacional. A tese central é a de que o nosso défice comercial não se deve a problemas de competitividade, salários elevados ou o que quer que seja, mas precisamente o contrário. O nosso défice comercial é causado, essencialmente, pelo aumento de transferências da União Europeia e pelo aumento de riqueza devido à baixa das taxas de juro, que levaram a distorções nos preços relativos entre bens transaccionáveis e bens não transaccionáveis e a aumentos de consumo que colocaram a economia a produzir mais destes últimos e, por consequência, menos dos primeiros. Ao consumirmos mais, produzindo, no entanto, menos bens transaccionáveis, criámos um défice comercial considerável. A pressão sobre bens não transaccionáveis, cujos preços são definidos internamente, levou a aumentos de inflação e de salários, como simples ajustamento. O que, na realidade, funcionou como uma apreciação da moeda funcionaria, caso tivéssemos uma.

A tese é interessante. Por um lado, vai completamente contra tudo aquilo que é dito pelos consensuais colunistas e opinadeiros. Por outro, é sustentada com argumentos económicos dificilmente atacáveis. Se o Professor Campos e Cunha estiver correcto, a consequência básica é que todo o discurso repetido sobre competitividade, apoio a empresas, a sectores, etc., resulta em pouco mais que nada para reduzir o défice comercial.

11 comentários

Comentar post