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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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Diabos, morreste-nos

Tiago Moreira Ramalho, 20.06.10

Era uma vez um homem que nasceu pobre e se destinou a morrer grande. Morreu-nos no outro dia. Por todo o lado fazem-se julgamentos do legado. Alguns julgamentos políticos são justamente feitos ao político. O político Saramago era um ser detestável. Mas nesta altura, como em todas, aliás, porque nunca quis misturar o político com o artista, lamento a perda de um homem que me deu das melhores frases que já li. Um homem extraordinário por se ter feito da forma como se fez. Um homem que, apesar da pele dura, muito dura, como dizia na apresentação de Caim, não convenceu a morte a uma pequena e desejável intermitência. Se vai ser lembrado, se daqui a cinco mil anos o leremos, se os outros preferem a estupidez, a cegueira de julgar a obra pelo que à obra não pertence, não quero saber. Quero apenas agradecer, como se tal fosse possível, o simples facto de Saramago se ter lembrado, um dia, de escrever um livro e de ter repetido a façanha umas quantas vezes.

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