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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Do optimismo (1)

Rui Passos Rocha, 23.06.10

No célebre texto em que diz que «a má moeda expulsa a boa moeda», Cavaco Silva não se limita a vergastar Santana Lopes e o seu governo-recorde de quatro meses: diz que, recentemente, «os agentes políticos incompetentes afastam os competentes», donde resultam «menos desenvolvimento e modernização do país, mais injustiças sociais e maior desencanto dos cidadãos em relação à democracia».

Não se trata apenas de competência; Cavaco fala, afinal, da necessidade de «trazer de volta à vida político-partidária pessoas qualificadas, dispostas a servir honestamente a comunidade». Não há - entende-se - na política gente tão qualificada como houve em tempos, porque a «má moeda» está a desincentivar a «boa moeda» - que assim deixa de querer, como naturalmente quereria, correr o país em comícios-festas partidários.

Será? Olhando apenas para os currículos dos líderes (corrijam-me se houver erros), das duas uma: ou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa é uma escola de elite europeia; ou talvez não possa ser dito que houve alguma vez uma «boa moeda» que se contrapusesse à «má moeda» de hoje. O exemplo de Sócrates (licenciatura em Engenharia Civil pela Independente; mestrado em Gestão de Empresas pelo ISCTE por concluir) não ajuda, mas Passos Coelho não fica a ganhar (licenciatura em Economia na Universidade Nova concluída em 2001, com 36 anos).

Da Faculdade de Direito da UL saíram Sá Carneiro, Pinto Balsemão (ambos só licenciados) e Freitas do Amaral (licenciado e doutorado). Mota Pinto licenciou-se e doutorou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Paulo Portas tem uma licenciatura em Direito pela Católica de Lisboa. Jerónimo, sabemos, é um antigo operário metalúrgico. E há ainda os outros engenheiros: Maria de Lourdes Pintasilgo (licenciatura em Engenharia Químico-Industrial, pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa) e Guterres (licenciado em Engenharia Electrotécnica - com distinção - no mesmo IST).

Vejo três casos que contrariam a tese de Cavaco; e um deles é... surpresa: Santana Lopes, que para além da licenciatura em Direito na UL passou pelo Instituto de Direito Europeu e pelo Instituto para a Investigação da Ciência Política e Questões Europeias da Universidade de Colónia. Sim, eu sei, isto não se compara com a licenciatura (com a mais alta classificação do seu ano) de Cavaco em Finanças no ISEG e o seu doutoramento na Universidade de York, a que se junta a passagem pelo Departamento de Estatística e Estudos Económicos do Banco de Portugal - coisa que, diga-se, não é qualquer um que consegue.

Mas há mais dois casos: Louçã, com a mesma licenciatura de Cavaco (e, como Cavaco, prémio para melhor aluno) e também mestrado e doutoramento no ISEG (ambos concluídos com distinção); e Durão Barroso, que se licenciou em Direito pela Universidade de Lisboa, concluiu um mestrado em Ciências Económicas e Sociais no Instituto Europeu da Universidade de Genebra e não concluiu o doutoramento iniciado na Universidade de Georgetown.

2 comentários

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    RPR 24.06.2010

    Em Portugal é a melhor, constou-me. Mas duvido que seja assim tão boa comparativamente em termos europeus (para não falar dos EUA).
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