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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Do optimismo (3)

Rui Passos Rocha, 23.06.10

«Pangloss respondeu nestes termos: Ó meu querido Cândido! conheceste Paquette, aquela airosa dama-de-companhia da nossa augusta Baronesa; provei nos seus braços as delícias do Paraíso, que produziram estes tormentos do Inferno em que me vedes devorado; ela estava infectada, e pode ser que esteja morta. Paquette recebeu este brinde de um Franciscano muito sábio que havia subido à fonte, pois o apanhara com uma velha Condessa, que o tinha recebido de um Capitão de Cavalaria, que o devia a uma Marquesa, que o obtivera de um Pajem, que o recebera de um Jesuíta, que, quando era noviço, o ganhara em linha directa de um dos companheiros de Cristóvão Colombo. Quanto a mim, não a darei a ninguém, porque vou morrer. - Ó Pangloss! exclamou Cândido, que estranha genealogia essa! não virá ela da casta do Diabo? - Nada disso, replicou o grande homem; era uma coisa indispensável no melhor dos mundos, um ingrediente necessário: pois se Colombo não tivesse apanhado numa ilha da América esta doença que envenena a fonte das gerações, que frequentemente entrava a geração propriamente dita, e que evidentemente se opõe ao grande objectivo da natureza, não disporíamos hoje de chocolate nem de carmim de cochonilha.»

Voltaire - Cândido, ou o Optimismo

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