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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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A nostalgia do rústico

Bruno Vieira Amaral, 29.03.10

A severidade monástica do rosto de Herculano ainda me persegue. Li o Presbítero em suplícios, rezando à flor dos lábios verbos cujo significado desconhecia. Se o Romantismo era aquilo, então mais valia atirá-lo de um penhasco. Gostei mais da biografia do homem, do refúgio campestre e da ambição simples de não possuir mais do que “umas botas grosseiras”. Admirei-lhe o desapego, a vontade de se apagar na casa de campo, onde se podem compor muitos rocks rurais e criar filhos de cuca legal. Raduan Nassar, o melhor escritor brasileiro em inactividade, também disse adeus ao mundo mundano, à lavoura arcaica do verbo, e fez-se criador. Criador de galinhas e de perus. Não falo de gigantes como Santo Agostinho (que antes de ser santo foi homem completo) ou Lev Tolstói. Pressinto-lhes muita religião. Fico-me por estas conversões pagãs: a de Herculano e a de Nassar. Lavradores de palavras rendidos à nostalgia do rústico.

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