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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

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O Monte da Caparica é só mais um

Tiago Moreira Ramalho, 29.06.10

O que aconteceu no Monte da Caparica, em Almada, nos últimos dias, tal como o que aconteceu noutros bairros suburbanos, é simples consequência de políticas que qualquer análise séria daria como criminosas. Ao longo das últimas décadas, a Câmara de Almada edificou dezenas de prédios de habitação social, verdadeiros guetos com bonitos nomes, desde «Pica-pau Amarelo» a «Bairro Cor-de-rosa», sem ter qualquer tipo de cuidado com a segurança do concelho. Vivem hoje largos milhares de pessoas nessas habitações, milhares que garantem bons resultados eleitorais, bem como uma boa redistribuição natural da riqueza por essas ruas fora. Não se trata aqui de qualquer preconceito, longe disso. O facto é que violência gera violência e se crianças são colocadas desde o berço em ambientes onde armas, drogas e crimes da maior variedade são o pão de cada dia, não conseguindo fugir de tais ambientes nem sequer na escola, então estão condenadas a uma vida igual à dos seus pares.

A política de habitação social na maioria dos concelhos urbanos e suburbanos em Portugal constitui um problema seríssimo de segurança pública. Concorde-se ou não com o modelo de Solidariedade Social, a verdade é que a criação de guetos não funciona em parte nenhuma do mundo. Infelizmente, a pulhice de meia dúzia de autarcas ávidos do seu pequeno poder impede qualquer tipo de discernimento. A pulhice dos autarcas e a correcção de quem os acomoda nas felpudinhas cadeiras.

6 comentários

  • Os dois (ou, neste caso, três) motivos não se excluem. Um desenho urbano que junte, num mesmo espaço, milhares de pessoas problemáticas é um mau desenho urbano.

    Quanto aos imigrantes, não me oponho à entrada. Acho que é uma hipocrisia, por princípio, e uma tonteria, economicamente falando.
  • Sem imagem de perfil

    Miguel Vaz 29.06.2010

    O urbanismo pode ajudar à festa, mas não é a origem do problema. Em muitos casos, os bairros já lá estavam antes dos problemas. No meu caso, é isso que acontece. Acho até que, nesse aspecto, as autarquias de Almada e Seixal têm feito algum trabalho positivo. Construíram parques infantis, ringues de futebol e centros da juventude.

    Quanto à imigração, não me oponho ao fenómeno. O que me oponho é à entrada descontrolada de imigrantes. Aí é que está o problema. Se moras em Almada, sabes tão bem como eu quem é que são os responsáveis mais frequentes dos distúrbios, os tais «jovens» que a imprensa fala.
  • Se me disseres que na Costa da Caparica há muitos imigrantes, sou o primeiro a dizer que sim. Já no Monte da Caparica a coisa não é assim tão linear. Há imigrantes, sim, mas a maior parte dos que ali vivem já nasceram em Portugal (como os ciganos, por exemplo) ou vieram de ex-colónias portuguesas há bastante tempo atrás. Não tenho números, falo de mera percepção.
  • Sem imagem de perfil

    Miguel Vaz 29.06.2010

    Se dizes isso, é porque não conheces bem a zona. Já alguma vez passaste *dentro* do Pica-Pau amarelo?
  • Nunca andei lá a passear ao domingo, não.
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