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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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O Eterno Feminino [2]

Tiago Moreira Ramalho, 08.07.10

As questões do feminismo interessam-me cada vez mais. Não sei a que se deve o interesse súbito, mas parece-me que as senhoras maltratadas devem receber um pouco da minha atenção. Não gosto, no entanto, do feminismo parolo, do feminismo que reduz as mulheres ao que o machismo as reduzia, dando-lhes apenas brinquedos com que brincar – refiro-me aqui, preclaro leitor, à lei das quotas, como parece óbvio. Esse feminismo é idiota, pois padece dos mesmos vícios lógicos que enfiaram as mulheres numa espécie de hall de entrada da História, ficando o Salão Nobre para os homens. Toda acção do feminismo parolo faz lembrar o filme Time to Kill, em que um homem negro que matou os violadores da sua filha, dois homens brancos, pede, num acto de desistência, ao advogado para que pense como eles, para que pense como os homens brancos, para que apresente um argumento que os convença, mesmo que contenha os mesmos vícios de sempre. O advogado acaba por dar ao júri uma história em tudo igual à da pequenita negra, mudando-lhe apenas a cor da pele, tocando-os. No fim, é certo, o pai é declarado inocente. A criança é vingada pela lei. No entanto, e apesar disso, nada mudou na realidade. Apenas se acondicionou frugal, ainda que eficientemente, a justiça à contingência. O mesmo acontece com o feminismo parolo. Basta parar para pensar mais que três segundos e não tentar resumir o mundo a um número.