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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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O desporto nacional não é o futebol

Tiago Moreira Ramalho, 19.07.10

Ouvi, enquanto me estirava num sofá, aborrecido, Pedro Passos Coelho dizer que é necessária uma revisão constitucional estável a prazo. Uma coisa para quinze anos. Foi aqui que ganhei absoluta certeza de que, na pátria que Coelho quer governar, qualquer um, começando por ele, mesmo que não tenha luz alguma sobre do que se fala quando se fala de uma Constituição, julga que pode fazer poderosos statements, continuando, fresco e airoso, apesar da enormidade, sem que nada aconteça. Não é possível que o texto fundamental que rege o contrato pátrio tenha estabilidades de quinze anos. Esta coisa desportiva de, semanalmente, se discutir a natureza do regime é própria de Estados irremediavelmente alheados dos seus próprios problemas. A Constituição tem de ser a plataforma segura, mesmo quando tudo o resto é pantanoso. E a verdade é que esta banalização do texto fundamental, do qual todos se consideram justos pedreiros, leva a que se possa fazer tudo e o seu contrário, dependendo das interpretações – como quando Sócrates se meteu em cima de um banquinho a falar da sua interpretação do texto em épocas de revisão estatutária dos Açores. A isto chama-se brincar com coisas sérias, demasiado sérias, pelo que, mal por mal, um pedidozinho de desculpas até nem calhava mal, não.