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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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A onda

Rui Passos Rocha, 21.07.10

É pena que Die Welle dê vontade de rir. Pena que se baseie nos três documentos existentes sobre a experiência de Ron Jones (dois artigos no jornal escolar e um texto do próprio Jones) e preguiçosamente se limite ao lá relatado. Pouco nos mostra sobre como, logo ao fim do segundo dia da experiência, toda a turma obedecia diligentemente aos ditames do ditador de serviço, o professor. Nem dez minutos são filmados mostrando o ambiente destas duas aulas. Somos obrigados a perceber, por nós, o porquê de ao terceiro dia já "a terceira onda se ter tornado o centro da existência" dos estudantes. Aliás, só lendo o texto de Jones é que se compreende porque prolongou a experiência mesmo quando "muitos estudantes tinham ultrapassado os limites": "If I stopped the experiment a great number of students would be left hanging. They had committed themselves in front of their peers to radical behavior. Emotionally and psychologically they had exposed themselves. If I suddenly jolted them back to classroom reality I would face a confused student-body for the remainder of the year. It would be too painful and demeaning for Robert and the students like him to be twisted back into a seat and told it's just a game. They would take the ridicule from the brighter students that participated in a measured and cautious way. I couldn't let the Roberts lose again." No final, onde Die Welle ensaia o suicídio de Robert e a prisão de Jones (ou melhor, dos seus imitadores na ficção alemã), na realidade Jones deixa a turma atónita e a chorar no auditório em que, depois de ter anunciado um comunicado do líder fascista nacional, nada surge e lhes dá conta da fantochada que programou. Que "trocaram a razão por regras" e disciplina fica patente, quer no filme quer no texto de Jones, mas nem um nem o outro exploram a consciência humana - por inabilidade e/ou por preguiça, em ambos os casos. O leitor e o espectador que concluam o que entenderem. Ou seja, nada, para além da repetição da pergunta que - curiosamente - despoletou a experiência de Jones: porque é que, depois de Nuremberga, o grosso dos alemães dizia nada saber sobre a maquiavélica governação nazi, quando foram coniventes com ela?

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