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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

Sou uma pessoa espectacular

Tiago Moreira Ramalho, 22.07.10

Apeteceu ao João Martinho conversar comigo. Isto, claro, é um pressuposto meu, dado que no seu texto apenas me cita e me diz engraçado, acusando-me, lá para o fim, de ser meio vazio. Ora, como nada disto é novidade, porque o texto já estava aqui publicado, o que fez da citação uma coisa inútil, e porque toda a gente sabe que sou engraçado e, também, brutalmente vazio, nada se retira daqui além de uma tremenda vontade de um bate-papo blogosférico, que os chats brasileiros estão fora de moda. Enfim, «Olá, João Martinho, como é que isso vai?».

Conversa feita, aproveito para estender um pouco o post que deu ao João Martinho o mote para entabular tão agradável conversação. Naquele pequeno post, com um número de caracteres facilmente identificável num processador de texto regular, não tive o objectivo de finalizar a discussão, mas sim comentar a própria discussão. Hoje, que já demos uma vista de olhos pelo articulado, podemos avançar um pouquito mais.

A proposta de revisão que, pelos vistos, não é final, tem vários pontos de interesse. O primeiro é o objectivo confesso: tornar a Constituição o mais neutra possível. E, para isso, são suprimidos artigos completamente absurdos como os que definem objectivos da política económica, como a industrial, a comercial, entre outras. Aparentemente trivial, esta supressão é bastante relevante, pois a verdade é que este tipo de texto é próprio de programas de governo e não de leis fundamentais. A higienização ideológica da Constituição é muito mais relevante do que as propostas de alteração do poder do Presidente e das relações entre órgãos de soberania, propostas que, muito provavelmente, não irão avante, mas que são as que estão a receber mais atenção. Tornar a Constituição um objecto menos polémico é condição necessária para que acabe este desporto que é a proposta sucessiva de alterações. A Constituição tem de ser uma referência estável para todos e não uma garantia anti-democrática de prossecução de um determinado programa político que se acha merecedor de imposição generalizada. E, já agora, um forte abraço para o João Martinho. Sou tão boa pessoa, caramba.

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