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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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5 comentários

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    Miguel Madeira 28.07.2010

    A minha teoria: o trabalho de um pianista (concertos, audições) é mais público do que o de um economista (fazer pesquisas num gabinete).

    Desta forma, as mulheres atraídas por economistas terão mais dificuldade em encontrar parceiros do que as mulheres atraidas por pianistas; o resultado é que as mulheres atraidas por economistas reproduzem-se menos do que as atraídas por pianistas, levando a um desaparecimento gradual de genes que induzam "atracção por economistas", em comparação a genes que induzam "atracção por pianistas".
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    PR 28.07.2010

    Miguel,

    Penso que a explicação não é viável, dado que:

    1. Duvido que haja alelos que codifiquem o fenótipo "atracção por economistas". As coisas nunca são assim tão simples.

    2. A selecção natural em humanos é fortemente influenciada pelo facto de os genes não serem os únicos replicadores. Os "memes" também actuam, o que torna o raciocínio um pouco mais complicado.

    3. Há efeitos de sentido contrário ao que aponta. Apesar de haver menor "exposição" pública de um economista, os economistas ganham tipicamente mais do que os músicos, o que lhes permite ajudar mais à sobrevivência da descendência. Há outros exemplos.

    4. Mesmo que haja um alelo a codificar a "atracção por economistas", basta que seja recessivo para que não desapareça no "pool" de genes. Como a fêmea não vai deixar de procriar apenas por não encontrar um macho (escolhe um "second best"), o alelo mantém-se latente.

    Mas acho que já estou a levar demasiado longe uma conversa que começou com um lamento meu por não conseguir arranjas parceira :)
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    Miguel Madeira 28.07.2010

    1 - Mas já poderá haver alelos que levem à atracção por um determinado tipo de personalidade, que por sua vez poderá ser predominante entre os economistas (mas já são muitos "poderá")

    2 - Imagino que os factores de sucesso para os memes acabem, na prática, por serem parecidos com os dos genes, pelo que isso talvez não altere o raciocinio

    3 - [nada a objectar]

    4 - substituir "desaparecer" por "enrarecer"

    Mas a conversa não é tão futil como pode parecer - quem fazer as pesquisas adequadas no "Google Académico" encontrará vários artigos a abordar o tema da criatividade artistica/poética estar associada a um número de parceiros sexuais acima da média (ou será a "criatividade" a entrar em acção no self-report?) e a criatividade cientifica/matemática a um número abaixo da média (bem, nem um pianista nem um economista são necessariamente "criativos", mas talvez não seja um detalhe relevante) - há um Daniel Nettle que faz pesquisas sobre isso. Ou seja, isso dá material para um ramo inteiro da psicologia/neurologia/biologia evolucionária.

    [Ocorre-me outra hipótese - será que há algum "meme" que leve as pessoas a associar "economista" a "gajo que fica até às 2.30 da manhã a pesquisar na net sobre coisas que não interessam a ninguém"? Se houver, talvez seja a explicação para o fenómeno]
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    Priscila Rêgo 29.07.2010

    Miguel,

    1 - Sim, o que me parece é que são demasiados "Se" :)

    2 - O problema é que os "memes" transmitem-se para benefício próprio, e não para benefício dos genes. Ou seja, podem fazer com que genes mais "aptos" acabem por não se reproduzir tanto ou mesmo prejudicar os indivíduos que os transportam. Mas confesso que piso solo pouco seguro.

    Não sabia essa do Daniel Nettle. Mas não acho completamente surpreendente: com tantos doutorados todos os anos, os biólogos têm de fazer alguma coisa. E as questões ligadas à reprodução diferenciada até são bastante fecundas...

    Finalmente, não sei se há um "meme" desses ou não. Mas, com tantas hipóteses possíveis e sem dados testáveis, acho que tudo o que dissermos não passará, em grande medida, de especulação infundada. Por exemplo, e agora que penso melhor nisso: será que há mesmo pouca preferência sexual por economistas?

    Quando pensamos em economistas, pensamos habitualmente em pessoas que se apresentam como economistas. Mas penso que a maior parte das pessoas formadas em economia não são, tecnicamente falando, economistas (exemplo: balcões de seguradoras, contabilistas, advogados). Ou seja, a nossa amostra está possivelmente enviesada pelo facto de apenas olharmos para o sucesso sexual dos "economistas" que passam muito tempo a olhar para estatísticas :)

    PS- Na minha caixa de correio estou a receber as suas respostas como sendo comentários do Tiago Moreira Ramalho... :S
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