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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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A eterna tecla

Tiago Moreira Ramalho, 30.03.10

Ontem houve Prós e Contras sobre Educação. Há muitos, muitos meses que não vejo o programa, mas ontem, pelo tema, obriguei-me a aturar a figura da moderadora, a quem só falta cuspir para o chão. Pelo tema e pelos participantes, que foram especialmente interessantes, principalmente a Helena Matos e o Nuno Crato. Pelo meio, quando se discutia a margem de manobra das escolas para definirem currícula, um dos participantes da mesa, António Gouveia, voltou a bater na tecla, a eterna tecla, de que os programas têm de ser impostos pelo Ministério. Esta ideia é completamente disparatada e tem sido parte responsável pelo estado da Educação. Se fizermos um esforço e olharmos à volta - às vezes custa - batemos com os narizes nas Universidades onde são os próprios professores e Conselhos Científicos que definem os programas, partindo de uma base que é em certa medida consensual. Até agora, parece-me, não deu mau resultado e a «experimentação» de diferentes técnicas tem, até, ajudado a aperfeiçoar métodos. Não se entende, no entanto, porque é que não se cria algo semelhante nas Escolas Secundárias.

Sejamos objectivos: os Ministérios da Educação não têm sido particularmente felizes na criação de programas. Os programas são, em geral, maus e, pior, instáveis. Sim, porque pior que um mau programa é uma sucessão de maus programas que impede um bom professor de «dar a volta». A troca de cadeiras à conta das «confianças políticas» tem feito com que áreas nucleares como a matemática, por exemplo, tenham tido alterações aos programas que afectam os melhores professores - que dizer dos piores. Além disto, a linha seguida neste momento tem levado a que meia dúzia de autores de livros escolares, muitas vezes autores, em simultâneo, dos próprios programas, detenham o quase monopólio das escolhas das escolas, apesar dos erros e da mediocridade dos textos (ninguém me consegue explicar porque é que, por exemplo, um estudante de História de Portugal do Ensino Básico compra livros escolares de péssima qualidade em vez de enciclopédias de História com muito mais rigor científico e substancialmente mais baratas).

Parece-me evidente que deveria dar-se espaço às escolas para influenciarem os currícula e para terem uma oferta diferenciada. Poder-se-ia manter um tronco comum, imposto pelo ministério, mas flexível. Esta é a única forma de (i) meter professores, verdadeiros professores, a criar programas que sejam para alunos e não para case studies universitários e de (ii) melhorar os métodos de aprendizagem sem condenar gerações inteiras por causa da «padronização» nacional.

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