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A Douta Ignorância

Política, Economia, Literatura, Ciência, Actualidade

A Douta Ignorância

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Livre-arbítrio

Rui Passos Rocha, 30.07.10

O mito judaico-cristão de Adão e Eva pode ser interpretado, seguindo a Bíblia, como ilustração do que acontece aos homens que não obedeçam fiel e completamente a Deus - pecam e, por isso, terão uma eternidade pouco aprazível; ou pode ser visto como significando a atractividade da desobediência e da liberdade. Todas as religiões têm um cardápio de sanções para os impuros, mas é significativo um livro sagrado que não marginaliza a desobediência a ponto de a tornar assustadoramente implícita; a Bíblia inscreve-a precisamente na raiz da humanidade, como pecado original. Dizem que assim a dissuasão é maior, lendo sobre as consequências da desobediência; mas não será ilegítimo imaginar que o efeito também possa ser o oposto: o justo fazer-se pecador e justificar-se na culpa do casal primevo, que desgraçou irremediavelmente a espécie. E agora perdoem-me, que vou ali beber um suminho de maçã.

2 comentários

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    PR 31.07.2010

    Tal como a mitologia nórdica e, salvo erro, também a mitologia egípcia. Até diria que qualquer religião tem de ter algum tipo de elemento capaz de suprimir o pensamento racional, mas penso que apenas no Cristianismo é que a narrativa que consubstancia essa crítica é de facto central (julgo, sem ter a certeza, que a parte do fogo de Prometeu está longe de ser fulcral na mitologia grega).
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